Ricardo Sousa Andrade

Psicólogo Clínico - Psicoterapeuta

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Como funciona a Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica?

A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica assentam numa relação onde o indivíduo pode falar livremente sobre os problemas e conflitos que estão a afectar o seu bem estar. É através desta liberdade para falar e associar que aprendemos a identificar quais as interferências que estão a bloquear o indivíduo e a causar sintomas como a ansiedade, estados depressivos, obsessivos e fóbicos, entre outros.

A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica são uma forma de tratamento focada em ajudar o indivíduo a contactar e compreender o que se passa na sua mente a um nível Inconsciente. A abordagem psicanalítica considera que os conflitos, stresses e tensões que são mantidos no Inconsciente podem originar problemas ao nível Consciente do indivíduo.

A origem destes conflitos estão, geralmente, relacionados com acontecimentos ou relações disfuncionais ocorridos no passado, que provavelmente, sendo conhecido por parte do paciente, não estão suficientemente pensadas e elaboradas pelo indivíduo. Este poderá, eventualmente, ter construído na altura defesas para lidar com o conflito. No entanto, as circunstâncias que o rodeiam mudam regularmente e se as defesas não se alterarem, em vez de protegerem, ajudam a potenciar os problemas que afectam o dia a dia do indivíduo.

A  Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica oferecem ao indivíduo a oportunidade de se conhecer melhor e aprender a reconhecer como é que o Passado continua a influenciar a sua vida Presente, tornando-se desta forma mais capacitado para lidar com os seus sentimentos e comportamentos. É do conhecimento adquirido no momento Presente que se constrói um Futuro sincero e verdadeiro.

A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica procuram ajudar o paciente a compreender melhor as razões e os motivos que estão na base do seu sofrimento e dos seus conflitos, mas o objectivo nuclear vai para além da simples compreensão intelectual dos conflitos. A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica tem como objectivo central tornar Consciente o que tem estado Inconsciente, permitindo desta forma, que o paciente não só entenda, como também e fundamentalmente, transforme a sua relação com o sintomas e com os conflitos internos.

Através da técnica da associação livre, o paciente é convidado a falar sobre tudo o que lhe vem à mente, sem censura ou julgamento, incluindo pensamentos aparentemente irrelevantes, dolorosos ou vergonhosos. O objectivo é construir uma narrativa da sua vida que promova um novo sentido para o seu sofrimento. O psicanalista/psicoterapeuta acompanha o paciente na investigação do seu Inconsciente. Nesta investigação vão emergindo desejos, memórias e traumas que foram reprimidos ao longo da vida do paciente e que moldaram as emoções e  comportamentos que o paciente, na maior parte das vezes, tem dificuldade em compreender.

Em suma, a transformação assenta na construção de uma narrativa da vida do paciente que permita ao paciente tornar-se mais autónomo e sincero consigo mesmo, aprendendo a compreender e lidar com a sua realidade de forma menos dolorosa. Esta narrativa também estimula o paciente a progressivamente descobrir como é que se pode tornar autor e narrador do seu futuro, responsabilizando-se pelos seus desejos e pela forma como escolhe viver a sua vida no presente e no futuro.

O que é que acontece na primeira sessão?

A primeira sessão tem o significado de um primeiro encontro. Neste primeiro o encontro, o paciente encontra um ambiente acolhedor, seguro e confidencial. O psicanalista/psicoterapeuta está preparado para ajudar o paciente a se expressar, mesmo que a sua fala pareça desorganizada. O paciente fala livremente sobre a actual compreensão emocional dos seu sofrimento, dos seus impasses e os motivos pelos quais está a procurar ajuda. É também uma oportunidade para psicanalista/psicoterapeuta e paciente começarem a se conhecerem. O paciente intui se pode sentir confiança no psicanalista/psicoterapeuta e, o psicanalista/psicoterapeuta avalia como é que pode ajudar o paciente através da sua abordagem psicoterapêutica. No final do primeiro encontro é esclarecido o desenvolvimento do processo psicoterapêutico, a frequência, o sigilo e outras questões técnicas.

O que é que acontece depois da primeira sessão?

As sessões seguintes terão um caractér regular (duas ou uma vez por semana, ou de 15 em 15 dias). Procura dar sequência ao primeiro encontro, desenvolvendo  uma compreensão para as dificuldades do indivíduo, bem como descobrir caminhos que o ajudem a viver de forma mais satisfatória a sua vida. Cada sessão tem a duração de 45 minutos.

Falar numa sessão sobre “o que vem à sua mente” pode levar a analisar e discutir as motivações inconscientes com o psicanalista/psicoterapeuta e através de uma nova compreensão de si mesmo, estará mais apto a olhar para situações familiares a partir de uma perspectiva diferente. Tudo isto acontece de acordo com o seu próprio ritmo.

Parte do tempo da Psicoterapia é dedicada ao Inconsciente, outra parte é dedicada aos acontecimentos diários, e uma terceira parte do tempo é dedicada às experiências que psicanalista/psicoterapeuta e paciente vivenciam durante as sessões de psicoterapia.

A abordagem psicanalítica visa recuperar o controlo sobre os aspectos negativos da vida do indivíduo, conduzindo a uma gradual diminuição da influência que as motivações inconscientes têm sobre este, porque ao se tornarem conscientes, tornam-se parte de uma nova compreensão de si mesmo.

Durante quanto tempo é necessário estar em terapia?

Cada pessoa tem necessidades e motivações diferentes. Este tipo de tratamento procura, em primeiro lugar, esclarecer as razões que motivam o sofrimento do indivíduo. Sem um esclarecimento suficiente, da base do conflito e do sofrimento, não é possível  construir e descobrir uma Nova Relação que permita atingir  o objectivo nuclear da psicoterapia: uma transformação do indivíduo na forma como se relaciona com os seus conflitos, os seus desejos e as suas escolhas. Alguns indivíduos necessitam de mudanças profundas para atingirem os seus objectivos, outros não precisam de transformações tão profundas. Deste modo, a duração da psicoterapia depende da profundidade e dificuldades dos conflitos e da forma como o indivíduo lida com eles. Geralmente, a duração da psicoterapia não pode ser prevista no início do tratamento, mas pode ser sempre discutida e é mais claramente estabelecida quando os objectivos terapêuticos estão bem definidos.

A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica trabalham as motivações inconscientes, pelo que na maioria dos casos o sucesso terapêutico é mais sólido e evidente quando o término da psicoterapia é discutido pelo indivíduo e psicoterapeuta ao longo da relação terapêutica e de acordo com a evolução do indivíduo.

O que é que acontece se o paciente falta a uma sessão?

Procuro, sempre que seja possível, providenciar uma data alternativa, para que o paciente não seja prejudicado. Por princípio a sessão é cobrada quando o paciente falta a sessão, excepto quando o paciente tira férias (comunicando com a devida antecedência) ou quando o paciente ou um membro familiar significativo fica doente. Por um lado, este princípio visa proteger o ritmo do encontro psicoterapêutico, que é a base para a construção da narrativa de vida do paciente e crescente compreensão de si mesmo. Por outro lado, este princípio também visa proteger a realidade do contexto da profissão do psicanalista/psicoterapeuta que está estruturadas em dias e horas fixas. Deste modo o psicanalista/psicoterapeuta também não é prejudicado financeiramente, pois perante a falta do paciente é muito difícil preencher a vaga porque, geralmente, os pacientes têm dias e horas fixas para as suas sessões psicoterapêuticas. Para mais esclarecimentos pode consultar a secção do Contrato Terapêutico.

O que é que distingue a Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica das outras Psicoterapias?

A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica distinguem-se de outras abordagens psicoterapêuticas por incidir o foco no Inconsciente (aspectos do funcionamento mental do paciente que não estão suficientemente nítidos na compreensão consciente do próprio paciente), na investigação da história da narrativa de vida  do paciente (infância, pré-adolescência, adolescência e adultícia) e na análise da relação psicoterapêutica entre paciente e psicanalista/psicoterapeuta (foco na interação “paciente-psicoterapeuta” como uma co-construção que valoriza a subjectividade de ambos, esclarecendo como é que os padrões relacionais formados na infância se repetem com o psicoterapeuta e, provavelmente noutras relações do paciente). A Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica não seguem protocolos como outras Psicoterapias mais directivas. Em vez de insistir em mudar imediatamente os comportamentos, a Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica procuram, em primeiro lugar, entender o porquê de determinado comportamento, identificando-o como um sintoma de um conflito que precisa ser esclarecido.

Através da associação livre da fala e do pensamento o paciente é incentivado a falar livremente, isto é, sem filtros, e deste modo, a permitir que o Inconsciente se vá revelando.  O objectivo, para além da eliminação ou transformação dos sintomas, é acompanhar o paciente a compreender a raíz dos seus conflitos. É da compreensão do conflito que surge o desmantelamento do conflito e, consequentemente, a mudança de comportamentos desejada assente no diálogo esclarecido entre as emoções, o pensamento e a acção.

Qual é a diferença entre a Psicanálise Clássica, Psicanálise Relacional e a Psicoterapia Psicanalítica?

A principal distinção entre a Psicanálise Clássica, a Psicanálise Relacional e a Psicoterapia Psicanalítica reside no foco técnico, na postura do analista, na frequência das sessões e na concepção sobre a cura.

Enquanto a Psicanálise Clássica foca na investigação do inconsciente individual e na interpretação, a Psicanálise Relacional enfatiza o vínculo interpessoal e a Psicoterapia Psicanalítica foca na adaptação clínica e alívio de sintomas

Na Psicanálise Clássica (Tradicional), baseada na obra de Sigmund Freud e, posteriormente, desenvolvida por outros autores (Melanie Klein, W. Bion, D. Winnicott, etc), foca no inconsciente, na fase do desenvolvimento infantil e seu impacto no adolescente e no adulto, e na estrutura da mente. Utiliza a associação livre, convidando o paciente a falar sobre tudo o que lhe vem à mente. A postura do psicanalista tende a ser mais neutra e com menos intervenções diretas para facilitar a transferência (projeção de sentimentos passados do paciente no psicanalista). Geralmente há uma maior frequência de sessões e uso do divã. O objectivo é a reestruturação da personalidade, a compreensão profunda do funcionamento psíquico e autoconhecimento.

A Psicanálise Relacional (Contemporânea) foi desenvolvida a partir dos anos 80 pelo psicanalista Stephen Mitchell, entre outros. Propôs-se questionar e repensar alguns aspectos do pensamento e da prática da Psicanálise Clássica. A perspectiva nuclear considera que a mente é moldada pelas relações interpessoais desde a infância e o foco principal incide na relação real entre psicanalista/psicoterapeuta e paciente, valorizando o que o psicanalista e o paciente sentem como ferramenta clínica importante. A postura do psicanalista/psicoterapeuta é mais dialogante, autêntica e participante em comparação com a Psicanalise Clássica. O objectivo visa compreender e transformar os padrões relacionais disfuncionais do passado através de uma Nova Relação empática e inter-subjectiva (nova experiência relacional) construída na experiência psicoterapêutica com o psicanalista/psicoterapeuta. Progressivamente, espera-se que o paciente vá expandindo o “cultivo” esta Nova Relação para além da sua relação com o psicanalista/psicoterapeuta, isto é, que esta “Nova Relação” tenha impacto na sua vida, na relação consigo mesmo e com os outros.

A Psicoterapia Psicanalítica (Psicodinâmica) tem por base o corpo teórico e a prática dos princípios psicanalíticos, mas é adaptada para um tratamento mais focado e, muitas vezes, de curto ou médio prazo. O psicoterapeuta utiliza interpretação, mas com maior ênfase na relação actual e em problemas específicos. Pode ser mais diretiva que a Psicanálise Clássica ou Relacional. A postura do psicoterapeuta é mais activa e de suporte, ajustando a técnica à motivação e necessidades do paciente. Geralmente, o encontro é face-a-face e a frequência consiste numa sessão por semana ou de quinze em quinze dias. O objectivo é o alívio de sintomas específicos, resolução de conflitos atuais e melhoria no funcionamento psíquico, com menos ênfase na reestruturação profunda da personalidade.

Todas coexistem no reconhecimento da importância atribuída ao Inconsciente, mas diferem na participação da relação real (maior na Psicanálise Relacional), no foco no passado versus presente (maior na Psicanálise Clássica em comparação com a Psicoterapia) e na directividade. De uma maneira geral, será o contexto do paciente e a construção da atmosfera psicoterapêutica que irá indicar qual a melhor abordagem para as necessidades do paciente, sendo que, na prática, diversas características de cada uma das abordagens podem se interligar e complementarem-se, pois a Psicanálise Clássica, a Psicanálise Relacional e a Psicoterapia Psicanalítica partilham a mesma base de pensamento sobre a condição humana.

É preciso estar sempre a falar sobre a Infância na Psicoterapia Psicanalítica?

Por vezes é preciso falar sobre a Infância, no entanto não existe nenhuma exigência que obrigue o indivíduo a falar sobre a Infância. Geralmente, na psicoterapia, o paciente sente que a Infância constitui uma parte importante daquilo que é hoje (incluindo as suas dificuldades emocionais). Para alguns indivíduos pode ser muito importante abordar detalhadamente certos acontecimentos da Infância, enquanto que para outros é apenas necessário abordar esta fase da vida de forma ligeira e focar-se mais nos acontecimentos da vida adulta.

Estou preocupado que a psicoterapia venha a diminuir a minha criatividade. Faz sentido ter este receio?

Não há razão nenhuma para ter este receio. Pelo contrário, a Psicanálise e a Psicoterapia Psicanalítica pode aumentar a relação com a sua criatividade. A libertação da energia criativa reprimida é parte dos benefícios da Psicanálise e da Psicoterapia Psicanalítica.

Quais são as evidências científicas da Psicoterapia Psicanalítica?

Até 1980 a evidência era limitada às experiências e relatos de psicoterapeutas individuais e pacientes. De realçar que existiam muitos relatos em todo o mundo. Desde há 30 anos tem emergido de diversos estudos uma quantidade impressionante de evidências. São de destacar as recentes descobertas no campo das Neurociências, demonstrando que as emoções, a razão e a consciência estão distribuídas em diferentes áreas do cérebro, sendo esta distribuição consistente com o conceito da mente defendido pela Psicanálise. As Neurociências também validaram outros conceitos psicanalíticos como o Inconsciente e o recalcamento. Desde 1990, os estudos sobre o cérebro que usam imagiologia têm suportado a compreensão psicanalítica sobre os Sonhos, incluindo a influência de pulsões profundas na dinâmica dos Sonhos. Além disso, alguns estudos recentes demonstram que a terapia pela fala promove uma variedade de alterações positivas no cérebro, isto é, a terapia pela fala modifica o cérebro. Por último, apesar de haver muito trabalho por fazer, alguns estudos estão a investigar o impacto de diversas psicoterapias, sendo de realçar que os mesmos estudos tendem a demonstrar que a terapia psicanalítica evidencia efeitos positivos e duradouros.

Relativamente às evidências provenientes do campo das Neurociências aconselho a pesquisa e leitura do trabalho do Psiquiatra e Psicanalista Norman Doidge (por exemplo, os livros “O cérebro que se transforma” e “O cérebro que cura”) e para as evidências do impacto da Psicanálise e da Psicoterapia Psicanalítica, a leitura do artigo científico de Jonathan Shedler (https://www.apa.org/pubs/journals/releases/amp-65-2-98.pdf).

É possível fazer terapia via online?

Sim, na maioria dos casos é possível realizar a psicoterapia via online através do Zoom, Google teams, Whatsapp, entre outras aplicações. No entanto, recomendo que seja realizada presencialmente sempre que for possível. Se for o mais conveniente para si, estarei disponível para realizar as sessões psicoterapêuticas via online.

Ricardo Sousa Andrade © 2026 ·
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